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Sustentabilidade

7 de setembro de 2025

NECESSIDADES ATENDIDAS

Falar de futuro é, essencialmente, tratar do presente. O futuro que desejamos, que queremos viver ou deixar para nossos filhos, netos e bisnetos, depende do que construímos hoje. Essa ideia, aparentemente simples, é o pilar de uma visão sustentável do mundo.

O conceito de sustentabilidade foi enunciado em 1984, em um documento da ONU chamado “Nosso Futuro Comum”, e se refere a olhar para nossas necessidades no presente, atendê-las, mas sem comprometer a capacidade das gerações futuras atenderem às suas próprias necessidades. Essa definição criou a base do que conhecemos hoje como ESG, em inglês Environment, Social and Governance, ou ASG em português: Ambiental, Social e Governança. É uma definição que traz dois conceitos essenciais: necessidade e legado. 

Mais de quarenta anos depois do registro da definição de sustentabilidade, ainda não esgotamos o debate sobre a quais necessidades nos referimos e o que são os parâmetros para uma demanda atendida de modo adequado. 

Alguns economistas, como o Prêmio Nobel Amartya Sen e Kate Raworth, incluíram o aspecto social na equação do desenvolvimento para demonstrar que a necessidade econômica do presente não é justificativa para negligenciarmos a promoção da igualdade, na forma de oferta de oportunidades para todos e busca do desenvolvimento social.

Kate Raworth desenvolveu um modelo econômico didático, chamado Economia da Rosquinha, que delimita os limites da vida no planeta entre um teto ecológico e um piso social. Ela demonstra que a quebra dessas barreiras, para qualquer variável que componha esses limites, gera desequilíbrio, comprometendo a qualidade de vida ou a sobrevivência da nossa espécie no longo prazo.

Um país como os Estados Unidos já ultrapassou cinco de sete parâmetros para o teto ecológico, como emissões de CO2 e pegada ecológica, para citar apenas dois. A República do Congo, para ter uma referência em outro modelo econômico, é um país mais pobre e rompeu o limite de uma variável ambiental, a mudança no uso da terra, que refere-se, em linhas gerais, à atividade agropecuária ou queimadas.

Sob o ponto de vista social, esse primeiro país apresenta deterioração em duas variáveis, emprego e igualdade, já o país africano tem desafios sociais relacionados à saneamento básico, nutrição, renda, acesso à energia e igualdade.

Quando olhamos essas duas realidades tão diferentes, sob o ponto de vista de consumo, produção industrial, acesso à educação, infraestrutura, saúde e outros marcadores temos dificuldade de ter clareza do espectro de necessidades que consideramos que precisam ser atendidas para nos mantermos dentro do espaço justo e seguro para a humanidade. Onde está o equilíbrio? Qual o padrão de consumo é desejável para qualquer cidadão, de qualquer país, para alcançarmos mais justiça e igualdade?

A outra baliza do conceito de sustentabilidade é o legado, que nos dá  uma pista de como traçar um melhor caminho para nossa convivência e relação com o meio ambiente e as pessoas ou, ao menos, como fazer com que as pessoas compreendam a pauta e se mobilizem para colocá-la em prática.

No livro Como Ser um Bom Ancestral, Roman Krznaric fala que devemos pensar em, pelo menos, sete gerações à frente, assumindo nossa responsabilidade intergeracional. Com esse senso de compromisso com nossa linhagem, talvez fique mais fácil repensarmos nossas decisões individuais, políticas e econômicas com uma perspectiva mais ampla e profunda no tempo.

O padrão de vida de alguns cidadãos hoje já não poderá ser repetido por seus filhos, netos, bisnetos, trinetos ou tataranetos, porque, simplesmente, não haverá condições socioeconômicas e recursos naturais para manutenção dos mesmos parâmetros.

A reciclabilidade e a economia compartilhada são caminhos e precisamos, juntos, pensar alternativas para agirmos rápido.