Quando a gente começou a olhar para o futuro e fazer uma contagem regressiva?
Na minha infância, o tempo futuro era um valor infinito. Olhando para trás eu reconhecia várias gerações da minha família, os que vieram antes de mim, as lembranças dos meus avós, muitos causos, móveis e objetos que contavam a nossa história. Olhando para frente, pensava em filhos, netos, bisnetos em um ciclo geracional sem fim.
Na agenda ambiental, o termo Countdown (contagem regressiva, em português), dá nome a eventos, incluindo uma edição especial do aclamado TED, a relatórios, como o The Lancet Countdown on health and climate change e normalizamos o termo em palestras, conteúdos e na agenda corporativa.
Mas outro dia, pensando bem fundo sobre o significado disso, eu fiquei aterrorizada. A pauta é urgente e lido todos os dias com dados científicos que comprovam que precisamos agir, mas meu temor veio de outro lugar. Viajei em questões existenciais.
Meu Deus, quando penso na minha Bonitinha (para quem é novo aqui, a minha Bonitinha, que é a bonitinha mais bonitinha de todas as Bonitinhas, é minha filha Helena), penso em quantas Matrioskas vão caber em nossa herança familiar. Não vou divagar aqui se a Bonitinha vai ou não querer ter filhos, é um exercício filosófico…
Não podemos normalizar essa visão de olhar para o futuro e ele não estar mais ali. Nossa existência é muito rica para a negligenciarmos ou não desejarmos que ela seja frutífera para quem ainda vai chegar.
Se você ainda não se engajou com a agenda de sustentabilidade, por favor, faça isso. Hoje…