Eu passei o feriado longe da maior festa do nosso país, mas não deixei de vivê-la.
Seja nas muitas fotos enviadas por amigos e amigas, nas publicações de redes sociais ou cobertura dos canais de TV e Youtube, eu vi multidões, pessoas alegres, muita música e cores.
Eu quis prestar atenção nas mulheres e fiquei feliz pelas minhas semelhantes…
Mulheres lindas, exibindo seus corpos – dentro ou fora do padrão -, assumindo a liderança de batucadas, com fantasias divertidas, debochadas, sendo protegidas por outras mulheres, inclusive pelas que puxavam o trio elétrico, se divertindo com seus companheiros, companheiras, filhos, amigos, amigas ou sozinhas.
Colombinas, mulheres-maravilha, Donas Sebastianas, sereias, Eva, Frida Khalo, Fiona, odalisca, policial, noiva, Smurfette. Fantasias assinadas por grifes famosas, outras artesanais e as improvisadas, que ganharam meu coração! Vi rainhas de bateria que priorizaram o conforto, abandonando o salto para desfilarem de tênis, outras subindo em sapatos esculturais dobrando a aposta da capacidade de equilíbrio e samba no pé.
Mulheres empoderadas, temperando com glitter a liberdade de serem o que quiserem.
Sem dúvida, o Carnaval é um símbolo que marca nossa identidade brasileira e, mesmo tendo observado de longe e preferido uma casa de campo aos bloquinhos ou desfiles, me senti conectada e pertencente à mesma folia.
Sei que as redes sociais, os cliques perfeitos ou as imagens editadas são só um recorte do que significou essa festa para as mulheres, especialmente em um país com altas taxas de violência contra a mulher, misoginia e, se ainda olharmos para as interseccionalidades, racismo e preconceito.
Mas, esse ano, escolhi que essas imagens dessas milhões de meninas felizes, livres, seguras e empoderadas, seriam minha melhor fantasia de Carnaval.