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Inspiração

22 de junho de 2025

O COLIBRI

Acabei de ler a obra O Colibri, de Sandro Veronese.

Tenho cada vez mais certeza que a inteligência artificial será incapaz de criar coisas tão extraordinárias como esse romance. 

As pessoas, e não as máquinas, experimentam diferentes culturas, acumulam experiências e são capazes de usar a criatividade para criar uma narrativa incrível e emocionante.

Quando eu me deparo com o uso da inteligência artificial para dar voz a um ser humano e esse copia o texto da máquina e o assina como autoral, me soa preguiçoso, um uso quase indevido de um recurso tecnológico que tem lá suas funções importantes. 

Eu faço uma leitura desse comportamento como uma insurreição dos acomodados. Ou, sendo um pouco mais compreensiva, considerando o acúmulo de funções e a urgência de desempenhar muitos papeis e tentar otimizar a rotina e as tarefas, acabam por conferir à máquina sua voz para continuar ocupando espaços que pedem presença constante.

Sou mãe de menina e não posso deixar de lembrar do drama da Pequena Sereia que ficou sem voz por um ideal romântico e não conseguiu conquistar seu amado, justamente porque não conseguia falar-lhe sobre seus sentimentos.

Sandro Veronese falou sobre vários e aprofundou em dramas humanos relacionados à perda, vício, paixão, perdão, amizade, estigma. E, de quebra, um passeio por lugares incríveis na Itália.

Eu leio no Kindle e fiquei tão entretida nos primeiros capítulos que o primeiro destaque que fiz para meu caderno de anotações digital foi a lista de inventário de bens dos pais do protagonista com móveis italianos lindíssimos. 

Em algum momento, quando eu tiver um tempo livre, vou consultar todas as referências no Google, ou em alguma ferramenta de inteligência artificial (não contém ironia), para me transportar ainda mais para o livro. Guzzini, B&B, Artemide, Brionvega, só para dar o gostinho de algumas marcas de design e ainda tinham 3 porta-objetos de parede Uten-Silo 1 da Dorothee Becker, que é meu sonho de consumo há anos. Que lista! 

Para quem gosta de desing, vale a pena ler o livro só para pegar as referências dessas mobílias da casa da Piazza Savonarola, que certamente vai entrar no meu roteiro turístico quando puder voltar a Firenze. Está aí, mais uma coisa que a máquina não pode fazer por mim, viagens. Quero férias!

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