Minha mãe tem o nome da primeira mulher a ser eleita Prefeita no Brasil e na América Latina.
Alzira Soreano administrou a cidade de Lajes, no Rio Grande do Norte, entre 1928 e 1930, antes mesmo das mulheres terem direito ao voto em todo o Brasil, o que aconteceu em 1932. A primeira eleitora mulher também é desse mesmo Estado.
Hoje, 24 de fevereiro, celebramos os 94 anos da conquista das mulheres do direito ao voto no nosso país.
A Declaração Universal dos Direitos Humanos veio alguns anos depois, em 1948, afirmando, em seu artigo 21 que “toda pessoa tem o direito de tomar parte no governo de seu país e que a vontade do povo deve ser a base da autoridade do governo, expressa por meio de eleições legítimas e sufrágio universal.”
Segundo dados de 2024 do TSE, 52,47% do eleitorado do nosso país é formado por mulheres. Embora sejamos maioria como eleitoras, a presença feminina em cargos eletivos ainda é baixa. Em um levantamento recente da ONU Mulheres, realizado em parceria com a União Interparlamentar (UIP) e publicado com dados de 2025 e 2026, o Brasil ocupa a 133ª posição no ranking global de representação parlamentar feminina.
O infográfico que ilustra esse post é dessa pesquisa da ONU Mulheres. Me avisem se não estiver legível, que envio o link do mapa.
Chamou minha atenção o fato de Ruanda estar no topo da lista. Pesquisei sobre esse fenômeno. Após o genocídio contra os Tutsis em 1994, a população de Ruanda era composta por cerca de 70% de mulheres. Em uma sociedade patriarcal, foi necessária uma reengenharia política e jurídica para aumentar os direitos das mulheres, bem como a superação de barreiras culturais e de gênero.
Foi implementado um sistema de cotas que garante vagas no Parlamento e não apenas a reserva de candidatura. Mas as mulheres lá estão indo além dessas cadeiras reservadas. Ainda sob um regime totalitário, o país precisa avançar na efetividade da autonomia legislativa, mas sem dúvida é um avanço na agenda de diversidade.
O México está em quarto lugar no ranking, mesmo não tendo passado por uma guerra civil. Um sistema de cotas, reforma legislativa garantindo paridade de representação, alternância de gênero obrigatória em eleições proporcionais, obrigatoriedade de paridade em cargos de chefia no executivo, são exemplos de medidas adotadas pelo país latino americano.
Temos um ano eleitoral pela frente e desejo que outras Alziras, Carmens, Marinas possam assumir posições no nosso executivo e legislativo e que possam nos representar com dignidade.
Sobre a minha mãe, vou correndo contar para ela que o seu primeiro nome está gravado na história de representatividade política em nosso país.